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Por: Equipe Técnica SOESP | 04/12/2017

Lagartas: como controlar?

Conheça o comportamento deste inseto e como controlar os ataques.

Foto: SOESP

Lagartas são insetos menos ocasionais em pastagens se comparadas a outras pragas, mas quando ocorrem infestações, são capazes de desfolhar extensas áreas de pastagens em curto período de tempo.

As duas principais espécies de lagartas que atacam pastagens no Brasil são: Spodoptera frugiperda (lagarta-do-cartucho do milho) e a mais comum Mocis latipes (curuquerê-dos-capinzais)

Nos últimos anos foram relatados casos de grandes surtos populacionais destas pragas no início da estação chuvosa, seguidos de posterior desaparecimento das mesmas à medida que as chuvas se regularizam. É necessário entender como funciona o ciclo destas pragas e sua dinâmica no ambiente para que se possa propor medidas racionais de manejo e evitar danos econômicos:

Comportamento:

Os insetos adultos destas lagartas são mariposas de hábitos noturnos. De maneira geral, cada mariposa pode colocar de 300 a 2.000 ovos em sua vida. Estes ovos demoram de 2 a 5 dias para eclodirem, conforme a temperatura do ambiente, dando origem às lagartas, que se alimentam das folhas do capim. Ao completar o desenvolvimento, a lagarta empupa e dá origem à uma nova mariposa, fechando o ciclo que dura aproximadamente 30 dias em períodos quentes e chuvosos.

Um fator importante para o manejo dessas pragas é o conhecimento do padrão de consumo de forragem ao longo da fase de lagarta: Ao eclodirem os ovos, já começam a raspar as folhas do capim, continuando neste processo até completarem seu desenvolvimento total. Cada lagarta consome em média 14.000 mm2 de folha de capim para completar seu crescimento. Este fato atenta para a importância de se fazer o controle cedo, tão logo se observe folhas raspadas na pastagem e não deixar chegar na situação da figura abaixo:

Ataque de lagarta curuquerê-dos-capinzais em Panicum maximum.

Monitoramento:

O monitoramento de mariposas adultas pode ser feito através de armadilhas de luz negra ou de feromônio, se notar o aumento do número de mariposas, em 2 ou 3 semanas irão surgir as lagartas.

Em relação ao nível de controle, pode variar consideravelmente conforme o estado da pastagem mas, de maneira geral, de 50 a 100 lagartas por metro quadrado já justifica o início das operações de controle.

Controle:

Pode ser feito de forma química, com inseticidas de baixa toxicidade e curto poder residual, ou de forma biológica.

- Lagarta-do-cartucho do milho: podem ser usados fosforados, clorofosforados, carbamatos e piretróides. Para mariposas pode ser usada, também, isca preparada com um quilo de melaço, dez litros de água e 25 gramas de metomil.

- Curuquerê-dos-capinzais: para as ninfas, tiametoxam ou carbofuran granulados aplicados de um dos lados da touceira. Para adultos, recomenda-se a aplicação de um inseticida seletivo que não atinja inimigos naturais da cigarrinha, como carbaril, triclorfon e malation. Isso porque ela pode migrar para outras áreas. Produtos microbianos a base de Bacillus thuringiensis também podem ser utilizados para o controle de curuquerê-dos-capinzais.

O controle biológico se mostra interessante por não ter período de carência e não comprometer inimigos naturais das lagartas como alguns percevejos e a tesourinha.


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Escrito por Andreza Cruz - Técnica SOESP

Referências Bibliográficas e Fontes:

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