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Por: Embrapa Agrossilvipastoril | 24/10/2017

ILPF ajuda solo a armazenar excelente quantidade de carbono, veja também os benefícios

A pesquisa promovida pela Embrapa Agrossilvipastoril mostrou que em 4 anos o solo da propriedade tinha quantidade de matéria orgânica semelhante a da mata nativa.

Uma pesquisa da Embrapa Agrossilvipastoril (MT) mostrou que após dois anos de lavoura de feijão-caupi e milho, e dois anos de pastagem com braquiária Piatã, apresentaram estoques de carbono, ou seja, de matéria orgânica, estatisticamente semelhantes ao valor mensurado na mata nativa da Área de Preservação Permanente localizada próxima ao experimento. A mata foi utilizada como comparativo por se aproximar do ambiente natural da região. Nela, o estoque de carbono encontrado é de 75 toneladas por hectare (t/ha).

O maior acúmulo ocorreu na ILPF com espaçamento de 50 metros, com 70,4 t/ha. Em seguida ficou a ILP, com 69,7 t/ha. Embora a área de ILPF com espaçamento de 15 metros não tenha alcançado estoque similar ao da mata, já possui valores bem próximos, com 65,5 t/ha.


“A literatura científica mostra que, de forma geral, o tempo necessário para que haja mudanças usando sistemas mais conservacionistas é de oito a dez anos e demora em torno de 20 anos para recuperar esse solo. Aqui demoramos apenas quatro anos para alcançar valores similares ao do ambiente natural”, destaca o pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril Eduardo Matos. Ele ressalta ainda que a área avaliada foi desmatada em 1984 e revela um histórico de cerca de 30 anos com agricultura em cultivo tradicional e semeadura direta antes da implantação dos sistemas integrados.
 

De acordo com Matos, a presença da braquiária no sistema produtivo ajuda a explicar a rapidez do processo de recuperação do estoque de carbono no solo: “A partir do momento em que o produtor faz a rotação de culturas, ele tem uma lavoura sendo adubada e na sequência, uma pastagem. Essa pastagem tem potencial de recuperar boa parte dos nutrientes adicionados ao solo e que a lavoura não conseguiu utilizar. O capim aparece com vigor e capacidade de produção muito maiores. Assim, obtém-se um volume de biomassa aportado muito maior, tanto na parte aérea da planta quanto em volume de raízes”.

Outro fator percebido é que a presença de árvores no sistema produtivo contribui para aumentar o estoque de carbono. A interação dos componentes e o fato de a árvore possuir raízes ainda mais profundas que as braquiárias complementam o aporte de matéria orgânica. Porém, a presença de árvores em espaçamento mais estreito, reduzindo a entrada de luz, provoca o menor acúmulo de matéria orgânica. “A sombra é interessante? Sim. Mas deve haver um equilíbrio entre o excesso de sombra e a ausência dela”, destaca Matos.

Principais benefícios do solo com acúmulo de carbono:

Melhoria da estrutura do solo e de suas características físicas, químicas e microbiológicas. Isto melhora diretamente a fertilidade;

Retenção de umidade, maior disponibilidade hídrica para as plantas;

De acordo com o pesquisador, um dos objetivos da continuidade das avaliações é encontrar o ponto de equilíbrio da integração lavoura-pecuária-floresta. Assim como ocorre com a vegetação nativa, é esperado que o sistema chegará a um estágio em que o acúmulo de carbono no solo será igual à taxa de decomposição dessa matéria orgânica, que é emitida em forma de CO2.

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