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Por: | 28/08/2017

Escolha da espécie forrageira

Conheça as características que se destacam em cada tipo de forrageira.

A escolha da forrageira para implantação de pastagens é uma decisão difícil, mas extremamente importante para o sucesso da atividade pecuária. Existem inúmeras espécies forrageiras para as condições climáticas do Brasil, aqui vamos citar as principais. Em nosso país, as pastagens cultivadas ocupam em torno de 105 milhões de hectares, cerca de 70 a 80% são formadas por espécies do gênero Brachiaria, sendo a maior área localizada na Região Centro-Oeste.

Critérios para a seleção de forrageiras

Para fazer a escolha, deve ser levado em conta: o tipo de solo, clima, a finalidade de uso da forrageira (cria, recria, engorda e categoria animal) e o nível tecnológico que se pretende utilizar, como adubação de manutenção ou produção, pastejo rotacionado ou contínuo, tamanho de piquetes, entre outros aspectos.

A escolha depende do sistema produtivo e para que a produção seja sustentável, deve ser adotada a diversificação das pastagens na propriedade. Hoje temos diversas opções e cada forrageira tem uma exigência nutricional e certas adaptações que as tornam mais adequadas a sua propriedade.

Conheça as principais características de cada uma delas
(clique no nome da espécie para ver informações mais detalhadas)

Braquiárias

Gramíneas forrageiras do gênero Brachiaria alcançaram grande importância econômica no País nos últimos 30 anos viabilizando a atividade pecuária nos solos fracos e ácidos do Cerrado.

A Brachiaria decumbens, introduzida na década de 60, praticamente triplicou a capacidade de suporte das pastagens nos Cerrados, passando de 0,3 a 0,6 cabeças por hectare em pastagens de capim-gordura ou jaraguá, para uma média de 1 a 1,5 cabeça por hectare. Isso mostra a importância da diversificação das forrageiras na pecuária. Bem adaptada a solos de média e baixa fertilidade, ela é uma planta agressiva, com uma estrutura estolonífera que colabora para conter a erosão. Além disso, ela é muito resistente à seca. Seu ponto fraco é a suscetibilidade às cigarrinhas. Por isso, o produtor não deve reservar o pasto muito cedo durante as chuvas, porque cria um ambiente favorável aos insetos e pode ter ataques severos. É indicada para uso em sistemas de recria e engorda de bovinos; aguenta bem erros de manejo e permite os primeiros pastejos depois de 90 dias de germinação em boas condições climáticas.

A Brachiaria humidicola é a forrageira mais utilizada em áreas de encharcamento temporário, pois suporta ficar alguns dias sob lâmina de água e também tem grande tolerância à seca, com bom desenvolvimento em solos de fertilidade média a baixa. Está distribuída em áreas que vão do nível do mar a até 1.800 m de altitude, com precipitações de 700 a 4.000 mm por ano. Os animais podem entrar nos pastos de 120 a 150 dias após o plantio, pois suas sementes tem uma dormência muito mais prolongada. Além disso, ela possui um baixo teor de proteína bruta e tem uma produtividade de massa seca mais baixa que as outras Brachiarias. Tem duas cultivares no mercado, a Tully (que seria a humidicola Comum), conhecida como quicuiu, espetadinha, que é a que aguenta mais o encharcamento temporário. A outra cultivar Llanero, conhecida como Dictyonuera, tem uma qualidade um pouco superior, porém pode demorar mais para se estabelecer e a produtividade pode ser um pouco menor comparada à humidicola comum.

Os cultivares de Brachiaria brizantha (Marandu, Xaraés, Piatã, BRS Paiaguás) possuem uma boa adaptação aos solos de média fertilidade e tem maiores produções de matéria seca:

O capim Marandu (braquiarão) ainda é o mais utilizado e conhecido, com boa produção de massa, ele se adaptou muito bem as condições de Cerrado brasileiro. Foi introduzida como tolerante às cigarrinhas das pastagens, porém hoje ela sofre com ataque de algumas espécies como a Mahanarva. As áreas de braquiarão tem diminuído significativamente hoje por causa da morte do braquiarão, uma doença que está relacionada com áreas pouco drenadas e a presença de fungos de solo. Nas áreas onde tem a morte não é recomendado o plantio de brizanthas.

Os capins Piatã e BRS Paiaguás são mais produtivos na época seca, mantem-se verdes por mais tempo e suportam uma carga maior animal nesse período por terem florescimentos mais precoces.

A Paiaguás está sendo usada para plantio em consórcio com milho, pois assim como a Ruziziensis ela é dessecada com baixas doses de glifosato, tem um hábito mais prostrado, sem a formação de touceiras grossas, mas é susceptível à cigarrinha.

O capim Xaraés é muito produtivo, cresce muito rápido, então deve se atentar ao manejo, pois passou dos 35 cm os animais não consomem as hastes, que engrossam, e o ganho diminui. Indicado para climas tropicais úmidos, permite o pastejo nas águas por longos períodos, além de ter alto valor nutritivo e boa capacidade de suporte, o que são seus diferenciais. Por ter seu florescimento mais tardio ela seca mais rápido na seca do que as outras brizanthas e perde sua qualidade.

Em sistemas integrados a Brachiaria Ruziziensis é a espécie mais utilizada. Apesar de ter alta suscetibilidade à cigarrinha e não suportar altas pressões de pastejo por longo período pela alta exigência em fertilidade, apresenta boa produção de massa, com alta qualidade e tem sido largamente usada para fazer palhada em cultivos de soja, pela facilidade de dessecação e alta produção de semente, o que barateia seu custo.

Recentemente a Embrapa lançou o seu primeiro híbrido de Brachiaria, a BRS Ipyporã que foi originada do cruzamento de uma Brachiaria ruziziensis com uma Brachiaria brizantha, lançada em 2017. Esse capim possui maior exigência em fertilidade, assim como a Ruziziensis, e seu grande diferencial é a resistência à cigarrinha por antibiose. Isso significa que as ninfas não conseguem se desenvolver e passar para a fase adulta, além de ser muito pilosa em toda folha e haste. Sua qualidade é maior, por consequencia acaba sendo mais exigente. Contudo, não irá substituir a morte do braquiarão nas áreas que encharcam, pois não aguenta encharcamento.

Panicum

Mais exigentes em fertilidade e manejo, os capins do gênero Panicum maximum também são mais produtivos. As variedades mais comuns continuam sendo o Mombaça, Tanzânia, Massai, Aruana e, há menos tempo, a cultivar BRS Zuri e os híbridos BRS Tamani e BRS Quênia. Esses capins por serem mais produtivos dependem de um manejo mais intensivo, de preferência rotacionado. No caso da produção animal, os capins do gênero Panicum são mais indicados para engorda e leite, as espécies Aruana, Massai e Tamani são muito utilizados para cavalos e ovinos pelo seu porte mais baixo, muitas folhas e poucas haste e essas são finas e mais digestivas.

O Massai é um híbrido de Panicum maximum com Panicum infestum, e ele se diferencia dos outros por não exigir tanta manutenção de fertilidade. Mas se adubar, ele responde bem.

O Tamani também é híbrido de Panicum, porém com maior qualidade e exigência. É mais macio e possui melhor digestibilidade e resistência a fungos foliares.

O capim Mombaça tem uma excelente produtividade, sendo utilizado para silagem inclusive. No caso do manejo, o recomendado é na época das águas os animais devem entrar no piquete quando o pasto atingir a altura de 80cm e permanecer pastejando até que tenha sido rebaixado para 50-40cm, mas esses valores podem variar com a adubação. É o capim que mais produz matéria seca entre os Panicuns, porém é o que mais forma hastes grossas e o manejo tem que ser muito bem feito, pois se passa da entrada de pastejo ela cresce muito e perde rápido qualidade e o animal não consegue pastejar e ganhar o peso potencial.

O Tanzânia já tem um crescimento um pouco menor, facilita mais o manejo, porém é mais susceptível a alguns fungos foliares, então o capim BRS Zuri (a seguir) foi desenvolvido mais resistente a esses fungos.

Zuri tem uma folha muito larga e acumula muita proteína, tem apresentado números muito bons de engorda e leite, além de produção de silagem e biomassa. Seu rebrote é mais rápido que do Mombaça e a haste, no mesmo manejo, se apresenta mais digestível, melhorando a qualidade da planta como um todo. Tanto Zuri quanto Mombaça são mais tolerantes ao encharcamento do que outros Panicuns.

E o último híbrido lançado pela Embrapa de Panicum foi o BRS Quênia, sua qualidade de destaque é a estrutura que possui muitas folhas (largas e compridas) e uma haste de porte médio e fina, ou seja, relação folha:haste maior e qualidade superior às outras cultivares de Panicum maximum. Facilidade de manejo, alta exigência em fertilidade são outras qualidades, porém ela não aguenta áreas com algum encharcamento, sentindo muito e demorando muito para voltar a crescer quando isto ocorre, podendo até morrer em casos extremos.

Esperamos que este material tenha te ajudado a entender um pouco mais de cada cultivar. É muito importante buscar consultoria profissional se estiver em dúvida de qual espécie é a mais adequada para sua propriedade. Mas se você já decidiu, solicite agora uma cotação conosco, e se quiser baixar este artigo, clique aqui. Obrigado pela visita!

Referencia
Machado, et al. Principais espécies forrageiras utilizadas em pastagens para gado de corte. In: PIRES, A. V. (Ed.). Bovinocultura de corte v. 1 p. 375-417. Piracicaba: FEALQ, 2010. Barbosa, R. A. 28º Curso Geneplus Campo Grande - MS Julho de 2016. Macedo, M.C.M. Treinamento Técnicos UNIPASTO 2017.