Estabelecimento de Pastagens

O primeiro passo para o sucesso da exploração pecuária é a escolha da forrageira adequada ao sistema de produção animal (categoria e metas de produtividade), condições tecnológicas (equipamentos, mão-de-obra e investimentos) e a análise das condições edafoclimáticas da fazenda (clima local e propriedades químicas e físicas do solo). Além da aquisição de sementes fiscalizadas e certificadas, dentro dos padrões legais de pureza e presença de sementes de plantas nocivas (daninhas).

Assim, sendo feita a escolha da forrageira ideal, devem ser seguidos alguns passos para que se obtenha uma pastagem bem formada e produtiva:

ANÁLISE DA FERTILIDADE DO SOLO

A análise de solo deve ser feita por um laboratório certificado para aferir a necessidade de calagem (correção da acidez do solo) e adubação. Para a coleta de amostras de solo:

 

1) Divisão em áreas uniformes

Adota-se os seguintes critérios:

  • Critérios Visuais: topografia ou declividade, cor do solo, tipo do solo ou textura, drenagem e cobertura vegetal.
  • Critérios Informativos: histórico de calagem e adubação, produção em anos anteriores e a presença de pragas/doenças na última cultura.

A área a ser amostrada pode variar de acordo com a sua homogeneidade, tentando não ultrapassar mais de 50 ha.

2) Amostragem

Os equipamentos utilizados podem ser: trado de rosca, trado calador, trado holandês, sonda metálica ou enxadão e pá de corte. Deve-se redobrar a atenção no uso do enxadão e pá de corte na abertura do buraco, para que não haja mistura de terra que não faça parte da amostragem no corte. Fazer um corte vertical no sentido da abertura do buraco e misturar a terra cortada para ter uma amostra representativa.

Inicia-se o caminhamento pela área em ziguezague, escolhendo o local da coleta da amostra ao acaso, evitando locais próximos a cupinzeiros, formigueiros, de deposição de fezes ou restos animais e de cocho de água ou sal.

Limpa-se o local superficialmente para remoção de folhas, gravetos e outras impurezas que possam contaminar a amostra. A profundidade de 0 a 20 cm é ideal para a amostra, pois é nessa camada que se desenvolvem as raízes, onde serão retirados os nutrientes necessários para o desenvolvimento da planta.

Coletam-se nesta mesma área 20 amostras simples que, uma vez homogeneizadas em baldes ou saco plástico limpo, formarão a amostra composta representativa da área.

3) Frequência da análise

A análise de solo deve ser feita frequentemente de acordo com a intensidade de uso da área. Onde há apenas uma cultura perene (ex. pastagens) avalia-se a cada 3 ou 5 anos. Em áreas onde se faz 2 ou 3 culturas anuais consecutivas, com uso intensivo de adubação, recomenda-se avaliar a cada 2 anos.

 

4) Resultado da análise

A leitura do resultado da análise de solo deve ser sempre acompanhada de um engenheiro agrônomo para interpretação correta e recomendação de necessidade de correção ou adubação.

PREPARO DO SOLO

No caso da implantação de uma nova cultivar ou situações drásticas de degradação de pastagem onde é necessária a incorporação do calcário e práticas de plantio convencional, seguem algumas recomendações:

1) De acordo com a recomendação da análise de solo e nível de fertilidade/utilização do solo, metade do corretivo recomendado deve ser espalhado antes da aração e a outra metade após a primeira gradagem.

2) A calagem é feita de 60 a 90 dias antes do plantio, provendo-se tempo hábil para a reação do corretivo no solo

3) A primeira operação pode ser feita com arado ou grade, incorporando todo material vegetal existente na superfície. Em seguida, com uma grade niveladora, faz-se o destorroamento do solo, o nivelamento da superfície e a eliminação de eventuais invasoras. Via de regra, duas gradagens são suficientes.

  • Deve-se sempre evitar o destorroamento excessivo porque o número exagerado de gradagens pode acarretar uma pulverização do solo.
  • A construção de terraços e curvas de nível deve ocorrer após o nivelamento do solo, caso seja extremamente necessário, se possível evitar.
  • Havendo uma quantidade excessiva de plantas invasoras o controle das mesmas deve ser feito com herbicidas ou manualmente, pois essas plantas podem germinar mais rápido e sufocar a forrageira.

SEMEADURA

1) A melhor época de semeadura dá-se na ocorrência de chuvas frequentes (outubro a janeiro).

 

2) Ao escolher um método de semeadura atente-se para a distribuição uniforme das sementes por toda a área a ser formada. Em semeadura em linhas ou covas o espaçamento deve ser o menor possível (10 cm).

 

3) Utilize sempre sementes fiscalizadas com garantia de Valor Cultural (VC %), livre de misturas e sementes nocivas (pragas). A aquisição de sementes com VC % fora das normas legais pode ser causa de fracasso na formação de pastagens.

 

4) Atente-se para a taxa de semeadura adequada. Tal taxa varia de acordo com o tipo de capim e o VC % das sementes. A semeadura em quantidades insuficientes de sementes também pode prejudicar na formação do pasto.

 

5) Imediatamente após a distribuição das sementes na área recomenda-se o uso de um rolo compactador visando-se aumentar a área de contato solo-semente.